Combater o desperdício alimentar

Por Aires Soares | Correio do Minho

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Na Europa, todos os anos, são deitadas fora 90 toneladas de alimentos, o que corresponde a cerca de 180 quilos por pessoa. É importante perceber que muitos destes desperdícios podem continuar a ser consumidos. Aquele número pode mesmo chegar, em 2020, às 126 milhões de toneladas, caso não sejam tomadas medidas.

Nos países desenvolvidos, o volume de desperdícios alimentares representa uma fração considerável dos resíduos urbanos, o que tem repercussões fortes do ponto de vista do desenvolvimento social, económico e ambiental. De acordo com a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, todos os anos, a nível mundial, cerca de um terço dos alimentos produzido é deitado fora.

Mas quais os motivos que explicam todo este desperdício? Falta de sensibilização dos consumidores, pouco planeamento das compras, confusão quanto à questão dos prazos de validade, excesso de produção, deficiente armazenamento de stocks, empacotamento inadequado são alguns dos fatores. Os responsáveis são diversos e encontram-se em toda a cadeia alimentar; agricultores, industriais de sector alimentar, retalhistas e consumidores. Só um esforço conjunto pode reduzir os desperdícios alimentares e melhorar a eficiência de recursos e a segurança alimentar.

No final de 2011, a Comissão Europeia elaborou uma Comunicação onde apontava medidas para uma gestão eficiente dos recursos, assente em estratégias de prevenção. Uma produção e consumo mais eficientes e sustentáveis (através de uma mudança de comportamentos de consumo, de uma maior produção de produtos reciclados), empacotamentos mais eficazes, transformação dos desperdícios em fonte de recursos e mais apoio à inovação e investigação são algumas das medidas apontadas.

A Comissão apelava também aos Estados membros para incluírem os desperdícios alimentares nos seus programas de prevenção de resíduos. Numa resolução de 2012, o Parlamento Europeu, entre outras medidas, apelava também aos Estados membros para criarem incentivos económicos para limitar o desperdício de alimentos e para elaborarem, com as indústrias transformadoras e retalhistas diretrizes para lutar contra o desperdício alimentar evitável.

O Parlamento pedia ainda aos retalhistas para participarem em programas de redistribuição de alimentos aos cidadãos sem poder de compra e apelava à Comissão e aos Estados-Membros para promover campanhas de sensibilização do público. Neste âmbito, a Comissão lançou uma campanha tendo como mote o “evitar desperdiçar alimentos, poupar dinheiro e proteger o ambiente”.

Planear as compras, perceber que “consumir de preferência antes de” significa que o produto pode ser consumido depois da data sem riscos, utilizar restos, congelar e recorrer à compostagem são algumas das medidas propostas. Está assim também na sua mão contribuir para combater o desperdício de alimentos. Lembre-se que, na Europa, cerca de 16 milhões de cidadãos precisam de ajuda alimentar.

Esta notícia foi originalmente publicada no site Correio do MInho.

Créditos da imagem: Vjeran Lisjak Free Images

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